Fim de ano chegando e a onda capitalista invade os shoppings. É presente pra todo lado, pra tio, vô, as crianças, o chefe, o boy e por aí vai…

Nada contra a troca de presentes, todo mundo gosta e merece um mimo de vez em quando. A questão é a obrigação de dar presente em datas pré-determinadas sem ter a menor habilidade pra presentear a outra pessoa.

Perdi as contas de quantas vezes recebi presentes completamente inúteis pra mim. Inúmeras roupas, bijuterias, perfumes etc, que não chegavam nem perto do meu gosto pessoal. O presenteador acha que está realizando um grande ato mas está apenas acumulando o presenteado de objetos desnecessários.

Até as pessoas que nos são mais íntimas, às vezes, não sabemos o que dar de presente porque já demos presentes em todas essas datas prontas por muitos anos, ou porque simplesmente não estamos com criatividade naquele momento.

A obrigação de você dar um presente 5 vezes por ano (porque haja datas hein? Natal, aniversário, dia das mães, dia dos pais, dia dos avós, dia dos namorados, aniversário de namoro, dia das crianças…) faz com que seja tudo muito automático. Você escolhe qualquer coisa genérica só pra dizer que está cumprindo com a sua parte. E isso é bem bizarro!

Não vou dizer que nunca fui assim, eu era super assim: a louca dos presentes. Quando recebi meu primeiro salário, meu maior orgulho foi poder dar um presente de natal pra minha mãe. Eu juro que escolhi um presente bom. Aliás eu sempre me esforcei muito para dar presentes compatíveis com a pessoa ou algo que ela precisasse.

Mas o problema é exatamente esse: se esforçar muito. Presentes devem ser genuínos, sem data pronta, sem forçação.

E os amigos secretos? Nossa, tenho horror dessa invenção. Até toalha de prato já recebi quando era apenas uma criança, comprovando o total descabimento desse jogo. Inclusive, há muitos games interessantes para incentivar a interação social que não precisem necessariamente envolver o consumismo, né. Já não bastam os gastos com comida e bebida.

Em resumo, se você pretende dar presentes de natal, repense se:

  1. Você tem 99% de certeza que a pessoa vai gostar do seu presente porque você realmente a conhece e sabe as suas preferências e necessidades?
  2. A pessoa realmente precisa e vai utilizar o seu presente?
  3. Você está dando o presente porque realmente quer dar ou por que precisa dar?
  4. Você não está se apertando financeiramente para dar o presente?
  5. Você entende que essas datas foram criadas pelo capitalismo e que você pode dar um presente a qualquer momento que não seja esse?
  6. Você sabe que se a pessoa ficar chateada porque você não a presenteou, é porque ela tem uma visão utilitarista do relacionamento?

Se você respondeu sim para todas essas perguntas, então ok. Mas se respondeu não para uma dessas perguntas, repense se você deve mesmo dar esse presente.

Escrito por Sarita Deoli

Baiana, advogada e estudante de Psicologia e Psicoterapia Holística. Criou o Trago o Sol em 2017 para conversar sobre as relações do ser humano consigo mesmo e com o mundo. Acredita no valor do autoconhecimento e do conhecimento em si. Tem mais esperança do que antigamente e insiste que não está aqui só de passagem.

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