Conclusão

A infância evoluiu muito desde a sua existência. O fato de a criança ser um sujeito de direitos constitui um excelente modo de protegê-la. O governo, as instituições e a própria pessoa física pode denunciar a situação de violação e vulnerabilidade em relação à criança, bem como, reivindicar as suas garantias.

Mas, mesmo diante desse cenário propulsor, ainda temos um embate com a cultura mundial, que ainda não vê a criança como um grupo prioritário na comunidade. O corpo social não se esforça para dar apoio às crianças em situações de risco e muitas se tornam vítimas desamparadas que, se sobreviverem, se tornarão um transtorno coletivo.

O globo atual é marcado pelo utilitarismo express e como as crianças não apresentam produtividade e resultados rápidos, elas são imediatamente excluídas da observância dos adultos. A verdade é que elas continuam sendo negadas, em humanidade e racionalidade.

Na mesma linha de pensamento, temos a concepção dessas crianças por acidente ou motivos mal formulados, como dar alegria à casa, recuperar um relacionamento, ter companhia, ter alguém que cuide do provedor na velhice etc. Muitos ainda veem a criança como um bibelô e se chocam com o “trabalho” que ela dá.

Nesse sentido, os pais também são agentes involuntários do desamparo da criança, quando não têm uma boa licença maternidade e paternidade, quando são sugados por empregos extenuantes ou não encontram vaga em creche para que seu filho seja bem cuidado enquanto trabalha. “Não existe criança difícil, difícil é ser criança em um mundo de pessoas cansadas.” (MOTTA, 2018)

É preciso ter em mente que a criança é o ser humano adulto, só que em sua formação. O mesmo valor que damos ao próximo é o que temos que dar dobrado às crianças, sejam elas nossos filhos ou não. É de responsabilidade de cada cidadão cuidar de quem estará ao nosso lado nas ruas daqui a 18 anos.

Igualmente, o cuidado também tem que ser redobrado com os adultos intermediários dessas crianças, pois elas não terão acesso a nenhum benefício sem os mesmos. Esses pais estão tão feridos quanto os filhos, pelos mesmos motivos sociais.

            Temos conhecimento também da desigualdade global de renda e de como certos países são muito mais ricos que os outros. Dessa forma, deve ser um compromisso esse rearranjo social através da assistência de quem pode a quem não pode. Por mais trabalhoso e lento que seja, é preciso ser feito.

            Do mesmo jeito que num mesmo país, uma criança se torna o futuro cidadão; no mundo, a criança se torna o futuro imigrante. O esforço tem que ser integral. Os nossos meninos não podem viver perpetuando vidas infelizes e sem importância. Cada criança é um ser humano que existe e merece respeito e dignidade.

Referências

ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Livros Técnicos, 2014.

BEE, H.; BOYD, D. A criança em desenvolvimento. 12ª. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

PAPALIA, D.; FELDMAN, R. Desenvolvimento Humano. 12ª. Ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.

RENNER, Estela. O começo da vida. 2016.

BRISKI, Z.; KAUFFMAN, Ross. Nascidos em bordéis. 2004.

Aulas da professora Ana Vilela Brandino na disciplina Psicologia do Desenvolvimento I no curso de graduação de Psicologia ministrado na Universidade Católica do Salvador.

Escrito por Sarita Deoli

Baiana, advogada e estudante de Psicologia e Psicoterapia Holística. Criou o Trago o Sol em 2017 para conversar sobre as relações do ser humano consigo mesmo e com o mundo. Acredita no valor do autoconhecimento e do conhecimento em si. Tem mais esperança do que antigamente e insiste que não está aqui só de passagem.

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