Desde um dado momento da quarentena, eu assumi um modo de produtividade total. Me desliguei das notícias – que me deixavam muito mal – e entrei num mundo de foco total. Entre aprofundamento e criação de conteúdos, minha mente passou a trabalhar de modo firme 24h por dia. Mal dormi esses meses. Dormindo tarde e acordando cedo. Insônia de mais de 2h durante a noite. Alimentação rasa. Meu corpo embebido nessa produção a todo vapor nem sentia nada. Pelo contrário, nunca estive tão bem. Se não fossem pelos músculos tensos e o bruxismo intermitente, talvez eu nunca repararia na nocividade do que estava fazendo.

Percebi há um mês atrás e tentei cortar algumas atividades do meu dia. Mas não consegui. Acho que me viciei em produzir. Mas o burnout chegou e como é difícil decidir do que realmente abrir mão. Sempre tive essa mania de querer abraçar um mundo. Um mundo que não dou conta. Um apego e um determinismo sobre “se eu parar isso, tudo vai por água abaixo”, que não condiz com a realidade. Minhas metas são altas e eu vivo cansada tentando alcançá-las. Tenho que exigir menos de mim. Tenho que ter o tempo de respirar e de fazer vários nadas. Meus músculos pedem socorro e o cérebro, tadinho, já dormiu sem nem me esperar.

Imagem: Anna Sorokina

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