Eu e meu namorado resolvemos adotar um cachorrinho. Escolhemos uma instituição que resgata cachorros de rua e uma delas estava prenha. Era uma cadela sem raça definida, com a aparência natural de uma vira-lata. Ela deu uma ninhada de 7 filhotes e adotamos um deles. Um marromzinho com os olhos claros, uma coisa linda.

Como a mãe tinha um tamanho médio e pernas curtas e o pai era desconhecido, o único parâmetro que tínhamos era esse. A expectativa é que ficasse com porte médio e a aparência semelhante a sua mamãe. Porém, ele já cresceu mais que ela, as pernas estão longas, as orelhas um pouco peludas, começando a parecer com alguns cachorros “de raça”, o que parece causar grande conflito mental em algumas pessoas.

Já me acostumei com o fato das pessoas perguntarem primeiro qual é a raça dele, antes mesmo de perguntar o nome, mas a constante necessidade em categorizá-lo tem me deixado um pouco assustada. É impressionante como a situação de ser “sem raça” incomoda tanto o ser humano. Parece que tipificar é mais importante que interagir com o cachorro, de perguntar se ele está bem, se é feliz, se está tendo alguma dificuldade.

O pior é ouvir que “ele é muito bonito para ser vira-lata”, “o pelo dele é muito sedoso para ser vira-lata”, “com certeza ele é Golden ou Labrador e vocês não sabem”. A ignorância das pessoas é tanta que elas não sabem que basta o cachorro estar bem hidratado para ter a pelagem bela e brilhante. Não, ele não é Golden. Não, ele não é Labrador. Não, ele não vai cruzar sabe lá Deus com que cachorro para vender filhotes. Não!

Meu cachorro não é comércio. Ele não está numa vitrine. Ele não precisa se encaixar em nenhuma categoria. Ele é apenas um cachorro. Assim como nós somos apenas humanos e os rótulos de raça, etnia, cor, sexualidade, gênero etc, não dizem sobre quem somos e o que importa para nós. Não somos objetos. Não podemos ser capitalizados.

Quando eu olho para Afonso eu não me preocupo se ele tem uma raça. O que me importa é se ele se sente amado, bem, feliz. Se se alimentou, se brincou, se está saudável. Deveria ser assim com todo mundo.

Escrito por Sarita de Oliveira

Criadora do Trago o Sol, Advogada, Psicoterapeuta Holística e futura Psicóloga. É curiosa, gosta de estudar e escrever sobre o bem estar mental e social.

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